quinta-feira, 19 de março de 2009

A Arte de Calar

Pois sim, saber calar não é assim tão simples como por vezes nos parece. Mas acho que é muito bom remédio para certos males.
Assim pensava o Abade Dinouart dizendo que o primeiro grau da sabedoria é saber calar.
Dos seus 14 princípios necessários para calar escolho os seguintes:

  1. Só devemos deixar de estar calados quando temos alguma coisa que valha mais que o silêncio.
  2. Só no silêncio o homem se contém: fora dele, parece expandir-se e dissipar-se no discurso.
  3. ...o silêncio do sábio vale por vezes mais que o raciocínio do filósofo; o silêncio do primeiro é uma lição para os impertinentes e uma correcção para os culpados.
  4. O carácter próprio de um homem corajoso é falar pouco e realizar grandes acções. O carácter de um homem de bom senso é falar pouco e dizer sempre coisas sensatas.
  5. O silêncio é necessário...Há maneiras de nos calarmos sem fecharmos o coração; de sermos discretos sem sermos obscuros e taciturnos; de esconder algumas verdades sem as cobrir de mentiras.

domingo, 8 de março de 2009

Feliz Dia da Mulher

Não concordo com dias marcados. Para nos fazermos acreditar perante a Humanidade basta os nossos actos sinceros e integros. Essa é a nossa obra. Mas em todo o caso, amamos algumas mulheres por serem mulheres pessoas...à mulher que me enviou este poema, que pelas circunstâncias tecidas pela vida temos os memos apelidos que se assim não fosse, se nos encontrassemos pela vida fora, tenho a certeza que nos entenderíamos como amigas :)

Principalmente à minha Mãe que proporcionou a teia da vida, não sozinha já se sabe! mas hoje é o dia da mulher

Já agora a todas as mulheres que conheço

Calçada de Carriche

Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode que vai cansada.

Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa, larga que larga,
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga,

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada,
Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

(António Gedeão)

Bem todas todas, talvez não...


sexta-feira, 6 de março de 2009

No país dos sacanas

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

Jorge de Sena

quinta-feira, 5 de março de 2009

fluir

Um dia hei-de aprender a escrever.
Penso assim desde há muito, nem com a leitura insistente consigo esboçar alguma sonoridade. Não tenho jeito e ponto final parágrafo mudar de linha.
Por enquanto vou escrevendo com imagem...

A Naifa - Todo o Amor do Mundo - ao vivo

A Naifa de João Aguardela. Um bom trabalho que este músico nos deixou.
A sua morte foi uma desagradável supresa...

quarta-feira, 4 de março de 2009

personalizar

Após ter visualizado (finalmente consegui não adormecer...), o Estranho caso de Benjamin Button ou o srº botão...aqui vão duas imagens adequadas:



Presentes personalizados :)

As árvores como os livros têm folha

e margens lisas ou recortadas,

e capas (isto é copas) e capítulos

de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas»
É evidente que não podes plantar,
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.
Jorge Sousa Braga





obrigada pela partilha Lu





Talvez não se adeque muito a imagem ao texto, mas a mim pareceu-me adequado :), como construir uma biblioteca onde nem árvores existem...a ilha

pequena experiência a pastel de óleo ( bons tempos)

terça-feira, 3 de março de 2009

Escultor do papel







Imaginem o que podem fazer na casa de banho quando o vosso rolo de papel higiénico acabar? Interesante não é? Em vez de perdermos a paciência porque o papel acabou, podemos acalmar com um pouco de criatividade...he he Afinal não é só ler a bíblia no wc!!!




Este criador ou escultor do papel, dá pelo nome de Junior Jacquet


"Cette longue collection de masques proposent une exploration inédite et
fascinante de visages de personnages imaginaires. Rire, sommeil, tristesse,
fatique, vieillesse, colère... Miroirs de nos propres émotions et états, les masques
de Junior Jacquet nous font autant rire que nous sentir mal à l’aise.

Chaque masque est une pièce unique. Ils sont élaborés à partir de rouleaux de
carton industriel. La technique de pliage et de modelage est unique et élaborée
par l’artiste lui-même. par l’artiste. Les modèles sont ensuite patinés avec de
la gomme laque et des pigments divers.
Les masques peuvent être montés sur tige (de 10 à 100 cm) et un socle en acier
noir de 9 x 9 cm.
Ces masques sont également disponibles en photographie haute qualité à 6 couleurs
au format 30 x 45 cm. Autre format disponible sur commande."




precious

Como é que tudo isto cabe num envelope?






Obrigada pelos presentes, adorei. bjoca

Já li "Amelia wants a dog

(Praia do Livramento-S.Miguel-2009-02-28)



É a queda de um anjo
Em cima de um homem
Que ao ganhar idade Perde a razão.
A todos os anjos De todos os sexos
Agarrem as asas ao cair do chão.
(Delfins -A queda de um anjo)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

"Quando pensamos saber todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas!"

Li esta frase hoje, enquanto vagueava pela net...achei interessante.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Tindersticks - Dying Slowly

So many time
I said that I love them
Looking over my shoulder at the door
So many times
I can't live without her
The wheel kept turning round
My feeling's changed
I went my own way
What can I say
To make you stay?
Cos in my dreams
They smother all over me
And I'm trying to explain
So many arms
Reach from my memories
Pull all at once
I'm lost amongst
The folds in their skin
I did you wrong
But I'm sorry now
And I'll show you how
If you were here now
You couldn't change
you wouldn't understand
but I'm ready now I'm ready now
I'll make you proud I was your man
and sing a song
but it's so ugly now
and I'll show you how
cos I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
Hey I'm ready now
Can we start again?
so many times I said that I loved them
I'm ready now
but I'm ready now
Can we start again?
so many times
I can't live without her
The years was more than I could bear
It's turning round
But in my dreams Can we start again?
They smother all over me I'm ready now
And I'm trying to explain Can we start again?
So many arms reach from my memory
The wheels kept turning round

esta letra não correspondeao vídeo aqui postado, corresponde à ´música que eu gostaria ter ouvido hoje no concerto de Tindersticks e que curiosamente não se encontra disponível no nosso país para eu colocar aqui...pelo menos é o resulta da minha pesquisa.
Mas foi muito bom!!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"Um sorriso é mais barato que a electricidade e dá mais luz à mocidade"
Alberto Pimenta

digam lá se não é verdade!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

:-)

Um livro fechado para quem quiser abrir.
Um livro aberto para quem quiser ler.
Um livro lido para quem quiser contar.
Um livro contado para quem quiser ouvir.
Um livro ouvido para quem quiser adormecer.
Um livro adormecido para quem quiser sonhar.
Um livro sonhado para quem quiser viver.
de Eugénio Roda
(agradeço ao próprio, isto tem um sabor especial :))

domingo, 8 de fevereiro de 2009

????

Eis pois, o espermatozóide para a Inês!

com beijos, claro!

uma voltinha pelo Desenhador do Quotidiano
:)

mais da ilustração...


Pierre Pratt, ilustrador Canadiano. Tem um trabalho interessante.
obrigada pela sugestão.


sábado, 7 de fevereiro de 2009

Não há coincidências...

Resolvi comprar o meu primeiro livro do Eugénio Roda + Gémeo Luís, namorado há tanto tempo. Para dizer a verdade, não era este especificamente, qualquer um servia, gosto de todos.
Ok. agarro-o antes que desapareça, é o único que há na livraria. Na altura não ligo meia ao texto, sei que vou gostar. Delicio-me com as ilustrações.
O livro Erva-Palavra, no âmbito deste projecto, apresentado em Fevereiro do ano passado, "fala" do meu Trás-os-Montes.
Era o único... e estava lá à minha espera...













sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

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domingo, 1 de fevereiro de 2009