quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

" Queres saber um segredo, segredo de Natal
Volta a olhar o mundo
como a primeira vez"
Queres saber de cor
são os sonhos de criança
volta a olhar o mundo
como a primeira vez"
(...)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

lá no alto


lá no alto, bem no alto, será que a fé existe?

domingo, 18 de dezembro de 2005

Natal

é agora no natal que pomos máscara??!!!
ou tiramos???!!!


Natal, enfeites, luzes, renas...
Apesar de ter passado por lá há dois dias, não vi como estava a marginal iluminada este ano. a marginal de Ponta Delgada, já se sabe...
O ano passado estava assim.

Que Presentes de Natal passaram por aqui?...

terça-feira, 22 de novembro de 2005

What would Y change?

















a escuridão
tenho medo. de noite, quando não consigo dormir, a morte
ressuscita mortes. deitado sobre a cama, uma mão negra
desce do tecto para me tocar no peito. tenho medo. silêncio
e frio sobre o meu corpo. olho para dentro de mim e não
vejo nada. tenho medo. todos os que me chamam de dentro
da escuridão sabem que há uma casa com paredes antes
de mim, sabem que eu não sou aquele que ilumina o mundo.tenho medo. quando não consigo dormir e prolongo as
noites, a culpa envolve-me de medo e frio, o silêncio diz-me
para esperar, pois o descanso virá com a noite maior,
a noite em que a manhã nunca chegará.

Casa, A Escuridão, José Luís Peixoto, Temas e Debates, Lisboa, 2002



mesmo assim, sabendo que o Dia, um dia não chegará, what would you change in your life?

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

furto# II

«Sedução
Ainda que estivesse ao meu alcance, a «sedução» é coisa que não me interessa. Etimologicamente, «seduzir» é «enganar». E eu ainda mantenho viva essa ingenuidade pateta e verídica que são os «sentimentos».»


furto a Pedro Mexia

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

furto

Aos 33 menos um mês

Time goes by from year to year

And no one asks why I am standing here
But I have my answer as I look to the sky
This is the time of no reply.

The time of no reply is calling me to stay
There`s no hello and no goodbye
To leave there is no way.

(excerto de «Time of no reply» de Nick Drake)


Roubei!
mais uma vez neste vício... mas vale a pena passar pelo local do crime


segunda-feira, 14 de novembro de 2005

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

só por olhar...











Vem do mar azul o marinheiro

Vem tranquilo ritmado inteiro

Perfeito como um deus,

Alheio às ruas.

(Sophia de mello bryener andresen)

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

O Reino Maravilhoso

"onde estiver um transmontano está qualquer coisa de específico, de irredutível. E porquê? porque, mesmo transplantado, ele ressuma a seiva de onde brotou. Corre‑lhe nas veias a força que recebeu dos penhascos, hemoglobina que nunca se descora."
Miguel Torga
Não porque me pertença um pouco. Não porque lhe pertença inteiramente.
Não porque me faz falta o cheiro de outono, os tons, as castanhas assadas...
não que as saudades tenham, enfim chegado, da terra que habita o coração, um espaço que se quer apenas vazio a ser reocupado, não pertencemos a outro que não para lá do Marão.
Este é o reino a pertenço, este é o reino maravilhoso de Torga, da literatura
São curtas as palavras mas extenso o sentimento...

(Texto para Manuel Hermínio Monteiro)
"E há quem pense que quem vê o mundo já viu, portanto, Trás-os-Montes. Engano puro. Durante muito tempo, a nossa terra era "o reino maravilhoso" - entendia-se: aquela vasta mancha de neblinas de Inverno, de ervas no meio do rio e de açudes entre os choupos deu de si a imagem de um paraíso à espera que o fôssemos revisitar. Tínhamos saído de lá por vários motivos e nem sempre se tratou de expulsão, como aconteceu no Pentateuco. A falar verdade, e a esta distância, o paraíso era um lugar estranho, com montanhas que limitavam em muito os caminhos onde sempre julgámos que poderíamos ser livres e felizes e ter cumprido um destino. Grande artimanha, esta, de nos desculparmos com as montanhas, e com os granitos frios, e com os bosques, os mesmos que se vêem quando se dobra do Alto do Pópulo para Parada do Pinhão, mesmo lá do alto.
Havia um homem, na tua terra, que vinha para o meio da rua mal os relâmpagos iluminavam o céu e os trovões anunciavam a ira dos elementos: "Ó divinas potestades, mostrai a vossa face!" Era tremenda a frase, dita assim por um paisano, mas era verdadeira. Não sei onde aprendeu a frase, mas deve ter sido do resto de um sermão na velha capela mesmo ao alto da aldeia - e serve para nos lembrarmos desse rosto do céu da nossa terra, plúmbeo (como aprendemos pela literatura), negro e austero, cobrindo todos os caminhos, todos os muros de vinha, todos os castanheiros e carvalhos que resistiram, todos os negrilhos erguidos como uma sombra à espera da ameaça do Verão, que vinha secar os lameiros e as fontes da serra. Sobrava, desse Verão que queimaria a terra - se esta não albergasse a humidade eterna da província -, o rio que descia para o Douro e crescia por onde seguiste depois.



De modo que quem viu o mundo não pode dizer que já viu Trás-os-Montes. A literatura chama-lhe "reino maravilhoso", sim, porque é essa mesma sensação que se tem desde o alto dos picos, quando os socalcos ou as clareiras começam a ganhar forma. Da Galafura, de um lado, de São Salvador do Mundo, do outro, Trás-os-Montes e Alto Douro (como é o seu nome completo) parece-se bastante com um reino maravilhoso, sim, mas os segredos que se guardam desse mapa, dessa corografia, dessa gigantesca orografia, não cabem na literatura, como não cabem na palma da mão, mesmo se a memória não perde os dias de neve, as geadas que cobrem as urzes, os cheiros das ervas e das comidas, os dias de romaria e de foguetes nas ermidas, os festins do Entrudo, a mansidão do gado a descer as encostas, o ruído das cancelas que se abrem para as hortas, ou a simples azáfama da terra a procurar pousio.
Há aqui outro reino que, para lá do animal, do vegetal e do maravilhoso, sagrada fórmula que desenha esse triângulo dos mundos conhecidos, fala da nossa terra de outra maneira: é o reino da ausência. Não o da ausência que atravessa o Grande Rio de onde se não regressa jamais, ou o da ausência que cabe entre os riscos da chuva, quando não sabemos dar-lhe um nome, atribuir-lhe uma voz, enumerar os seus afluentes. Porque, assim como não sabemos o caminho do vento, também não saberemos a natureza exacta e a vastidão das obras desta terra (para citar o profeta), das suas minas de ouro, dos seus planaltos de pedra. Sabe-se, apenas, suspeita-se. Esse mundo de adros à beira do crepúsculo, de ciclos naturais e de eiras de xisto, de lobos vagueando nos cruzeiros à entrada das aldeias, de cigarras à beira do delírio - só podia ser o teu mundo. Também é o mundo do melro junqueiriano, troçando do velho cura; e o do comboio que ainda agora desfez a curva antes de deparar com a pequena baía do Pinhão e com o largo onde foram crescendo os lugares de partida. Mas nenhum nome é demasiado justo para o descrever ou suficientemente pacífico para lhe devolver a paz." FRANCISCO JOSÉ VIEGAS
Para lá do Marão, Mandam os que lá estão!
"Este Trás‑os‑Montes da minha alma! Atravessa‑se o Marão, e entra‑se logo no paraíso!"Miguel Torga

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

love...confution

Fistful of LoveI was lying in my bed last night staring At a ceiling full of stars When it suddenly hit me I just have to let you know how I feel We live together in a photograph of time I look into your eyes And the seas open up to me I tell you I love you And I always will And I know you can't tell me I know you can't tell meSo I'm left to pick up The hints, the little symbols of your devotion So I'm left to pick up The hints, the little symbols of your devotionAnd I feel your fists And I know it's out of love And I feel the whip And I know it's out of love And I feel your burning eyes burning holes Straight through my heart It's out of love It's out of loveI accept and I collect upon my body The memories of your devotion I accept and I collect upon by body The memories of your devotionAnd I feel your fists And I know it's out of love And I feel the whip And I know it's out of love And I feel your burning eyes burning holes Straight through my heart It's out of love, ooh hooIt's out of loveGive me a little bit serious loveGive me a little full loveBe full of loveFists, fists, fists full of love...

Astérix


É verdade, pode não se identificar nada com as histórias de Astérix, mas garanto-vos que é uma imagem do último livro.

"Le cume des jours"

Observo o Mar.
Por vezes tenho a certeza que
se nele entrasse não me afogaria.
Porquê, perguntas.
Amo-o em demasia, seria incapaz de me atraiçoar...

terça-feira, 25 de outubro de 2005

um roubo, porque sim

A vaca preta e a vaca branca
A história seguinte, que deve ser dita ou lida lentamente, conta-se no País Basco espanhol. (...)
Um camponês tranquilo e taciturno guardava duas vacas que pastavam num prado e não faziam mais nada.
Outro camponês, que passou por ali, sentou-se num murete, na orla do prado, ficou um momento calado (nesta região as conversas são lentas e reflectidas) e por fim perguntou:
- Comem bem as vacas?
- Qual?- disse o outro.
O camponês de passagem, um tanto desconcertado por esta pergunta, disse então, mais ou menos ao acaso:
- A branca.
- A branca, come. - disse o primeiro.
- E a preta?
- A preta também.
Após este primeiro diálogo, os dois homens ficaram bastante tempo sem falar, olhos postos na paisagem familiar, as montanhas, a aldeia.
Depois o segundo camponês perguntou:
- Dão muito leite?
- Qual?- disse logo o outro.
- A branca.
- A branca dá.
- E a preta?
- A preta também.
Seguiu-se outro silêncio que durou tanto tempo como os anteriores.Enquanto (...) os dois homens não olharam um para o outro.Só se ouvia o ruído pacífico das duas vacas comendo erva.
O segundo camponês abandonou finalmente o silêncio e disse:
- Mas por que me perguntas sempre «qual»?
- Porque - respondeu o primeiro - a branca é minha.
- Ah - disse o outro.
Reflectiu mais um pouco e perguntou, para terminar, não sem uma secreta apreensão.
- E a preta?
- A preta também.
Jean-Claude Carrière, Tertúlia de Mentirosos

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

the best that I found in 2005

Antony and the Johnsons

Yearning for more than a blue day
I enter your new life for me
Burning for the true day
I welcome your new life for me
Forgive me, Let live me
Set my spirit free
Losing, it comes in a cold wave
Of guilt and shame all over me
Child has arrived in the darkness
The hollow triumph of a tree
Forgive me,Let live me
Kiss my falling knee
Forgive me, Let live me
Bless my destiny
Forgive me, Let live me
Set my spirit free
Weakness sown, Overgrown
Man is the baby

Sem comentários...

Alguém vai saber dizer algo...

sábado, 15 de outubro de 2005

3 Escolhas






Dez anos volvidos sobre a sua morte, a 20 de agosto, permanece mais vivo que nunca o melhor dos personagens de Banda Desenhada, as melhores Estórias, o melhor traço de sempre.
Sou amante incondicional do trabalho de Pratt e claro de Corto Maltese, a figura que eternizou o seu criador. Podemos mesmo ver Corto como um retrato de Hugo, o seu perfil é denunciador.
Amei este personagem desde sempre, continuo apaixonada por esta figura magnífica, um verdadeiro galã, sedutor, com muito charme e carácter.
  • A segunda escolha vai, também, para uma comemoração: Os 100 anos da primeira publicação de Winsor Mccay "Little Nemo in slumberland" Para os que não conhecem, recomendo vivamente. Mais fantasticamente irreal, não há. É completamente fora de série, fora de tempo.



  • e a última escolha de hoje: o lançamento europeu do 33.º álbum de Astérix, e o mais incrível é que a Graciosa foi contemplada neste lancamento!

Pois é, o livro foi lançado ontem, tive o prazer de o encontrar no próprio dia e ler.

Faltam-me as imagens ...

O pecado (mais) original


  • Uma estória simples


Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


(SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN)

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

raios partam a chuva!! irra

hoje que tinha uma certa vontade de escrver alguma coisa, mas precisava "colar", para acompanhar o texto, as minhas fotos, não consigo fazer nem um upload ( or Add an Image). deve ser desta maldita chuva! Parece que o oceano evaporou e está a derramar-se por inteiro neste nico de terra.

Fica pleo menos um poema duma história simples:

ESPERO
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

o Homem de Borracha

Graciosamente saímos da Praia para a batalha(naval- água com fartura)

O homem de borracha atira-se ao mar, por ele passam cardumes de pequenos e grandes peixes pratedos. A luz que se reflecte na água transforma tudo ainda mais fascinante.

Ingratidão ser peixe com um homem de borracha por perto!

Os peixes passam inocentes e ingenuamente por um traiçoeiro bricalhão, com a mesama arma que os ilude para a superfície, a mesma arma os roubará ao mar...


Agradecemos ao homem de borracha...

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Nada mais que a verdade


"Doença... Encefalozero Aguda... o cérebro deixa de respirar, porque os neurónios que fazem a diferença estão desactivados. E que os outros - os que sobram e são conhecidos por neurónios preguiçosos - apenas se ocupam de rotinas, trivialidades e, na fase terminal da doença, de conversas sobre mulheres e futebol. Sabe-se também que não escolhe raças nem religiões, mas ataca sobretudo o sexo Masculino. Sabe-se ainda que na maioria dos casos é hereditária."
in "Nem tudo começa com um beijo"
de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira
Oficina do livro, 1ªEdição: Abril 2005

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

falta algo




falta algo... o problema é se não vamos ter tempo de "descobrir" esse algo que nos iria tornar individuos felizes, realizados.
A este, jazzzz aqui ao lado, aconteceu algo maravilhoso que não teve tempo de saborear...
a vida sem pressa talvez nos torne mais felizes.





"Estou Além" - António Variações

Não Consigo Dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo

Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar

A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação

Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair

Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar

O meu mundoO meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Aonde não estou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Pedido

Abracem-me desta maneira
Para que não sinta a distância
Para que o ar não pese
Para que as saudades se afastem

Que balanço...

Lá vinham as certezas outra vez: Tinha as minhas certezas que voltava ao arquipélago, mas a certeza de voltar a S.Miguel, esta certeza eu não tinha.
É verdade, regressei às ilhas, uma boa viagem com a primeira paragem em S.Miguel, já se sabe, uma pessoa tem sempre algo para matar: aquelas saudades! Mas não houve tempo para matar tudo, e vamos a mais uma viagem que se faz tarde para enfrentar o novo ano!
20 Min de vôo, parece o pára arranca do Trânsito!!!, apanhar mais um ar pessado na terceira e arranca novamente para mais 20min de vôo.
Boa recepção e amanhã logo vemos o que há mais para contar.
Incrível, ainda não tinha visto o mar desde ontem!

quinta-feira, 8 de setembro de 2005